Juca Fiis (Rio de Janeiro, 1989) investiga o brincar como tecnologia coletiva de invenção do espaço público. Em seus trabalhos, jogos e dispositivos participativos tornam visíveis formas de cooperação que precedem qualquer regra formal, fazendo da brincadeira um exercício cotidiano de negociação, escuta e construção de vínculos.
Nesta edição, o artista apresenta a instalação inédita “Que Onda”, formada por duas estruturas equipadas com mecanismos de giro que permitem a crianças acionar coletivamente uma corda de pular. Entre elas, um espaço livre acolhe o jogo, enquanto caixas percussivas distribuídas ao redor convidam outros participantes a marcar o ritmo da brincadeira.
Algumas crianças batem corda, outras pulam, outras batem o compasso com tambores. O jogo acontece na sincronização dos gestos, produzindo uma ordem coletiva que parece depender menos de regras estabelecidas e mais da atenção umas às outras.
Em “Que Onda”, uma brincadeira conhecida torna-se um dispositivo público de encontro e encaixe. Fazer ondas, aqui, é um exercício de negociação de ritmos e de invenção de formas de encontro na cidade, na qual diferentes formas de participação precisam encontrar, continuamente, um modo de coexistir.